Estupro Coletivo de uma Garota de 14 Anos

Publicado: 14/10/2011 em Opinião
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Uma garota de 14 anos foi estuprada por cinco homens e o vídeo foi parar no Youtube. Os monstros ADMITIRAM o crime, a filmagem e a divulgação. PORÉM, A POLÍCIA ALEGOU NÃO TÊ-LOS PEGO EM FLAGRANTE, E ELES FORAM SOLTOS. Se forem responsabilizados, eles poderão pegar MÍSEROS 4 ANOS DE PRISÃO.

Leia mais aqui: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/963864-grupo-estupra-adolescente-no-parana-e-poe-imagens-na-internet.shtml

Este é o país (o mundo) em que vivemos.

Sejamos otimistas a ponto de acreditar que eles serão presos. Num mundo ideal, eles iriam para uma prisão que funcionasse de fato como instituição de reabilitação, para (daqui a muito mais que quatro anos) voltarem ao convívio da sociedade. Isso, talvez combinado a indenizações, não repararia de modo algum o mal causado, mas seria a única saída possível para resolver esse caso em um Estado sem pena de morte. Entretanto, não é assim que as coisas funcionam.

No mundo real, erros nas formalidades de uma investigação podem até servir para desconsiderar a confissão dos suspeitos e soltá-los. No mundo real, pode ser que, mesmo presos, eles sejam soltos por um advogado esperto no dia seguinte (novamente, por brechas no sistema). Na melhor das hipóteses, eles serão presos e colocados em celas especiais, visto que os outros presos (muitos levados a essa condição por tráfico ou quaisquer outras vias de desespero causadas pela exclusão social, e não por atos de sadismo desse nível) certamente iam querer acabar com eles.

Francamente? Sabendo da impossibilidade de realização da primeira hipótese em tempo hábil suficiente para fazer qualquer arremedo que seja de justiça para a garota, eu quero mais é que os outros detentos acabem com o cu desses estupradores mesmo! Já que não é possível ter justiça, um pouco de vingança debaixo dos panos das formalidades erradas não soa tão ruim. Será que isso me faz menos democrático? Ou será que o nosso mundo real é que não é tão democrático quanto se diz?

Como se a coisa ainda pudesse ficar pior, vem a pergunta que não quer calar, porque o autor deste blog é gay: E se a vítima fosse um menino? Bom, eu, ao contrário da maioria das pessoas, não pude deixar de pensar nisso, porque por vezes incontáveis já vi a homossexualidade ser associada à pedofilia (inclusive por senadores da república…). Eu, que muitas vezes tenho apenas a internet para expressar certos descontentamentos, precisei pensar nisso.

Bom, se a vítima fosse um menino, os estupradores seriam automaticamente rotulados como gays e pedófilos (o que não seria automaticamente verdade por causa desse episódio). Se os próprios policiais não matassem os desgraçados, a população tentaria linchá-los, ou mesmo os detentos de uma cadeia o fariam (ou pior). De brinde, ainda veríamos hordas de evangélicos fanáticos guiados por pastores de merda botando a culpa nos gays e promovendo uma campanha de ódio sem igual, como se a suposta orientação sexual dos presos tivesse concorrido para agravar a situação.

Pra refrescar a memória de todos: Em novembro de 2010 um rapaz de 18 anos foi preso por BEIJAR seu namorado de 13 anos em um cinema, com consentimento dele. Que estranho! Ainda me lembro de ver a foto dele estampada em vários sites, sem o menor pudor de submetê-lo a tanta exposição por causa disso. Apesar de a idade de consentimento sexual (isso inclui beijos?) ser 14 anos, será que isso foi um estupro? Se foi, o que dizer do que aconteceu com a garota da notícia título deste texto? E o que dizer das consequências de um caso e do outro? Tudo bem, tudo bem, eu sei que não posso exigir uma justiça infalível, mas… será que esse limiar de “equívoco” não está um pouco alto demais? Não há limites para o uso distorcido que as pessoas podem fazer de algo para perseguir uma minoria. Enquanto isso, crimes grotescos são cometidos impunemente porque não há flagrante…

Em parênteses, gostaria de aproveitar e ressaltar algumas questões de terminologia. Nós vemos a palavra pedofilia flutuando sobre o discurso sempre que coisas assim acontecem, mas é preciso um pouco mais de precisão vocabular para dar a verdadeira dimensão da gravidade do problema.

A Pedofilia é como uma perturbação mental. O sujeito pedófilo tem atração por crianças que ainda não tenham características de gênero desenvolvidas (ou seja: meninos ou meninas – tanto faz – antes da puberdade, porque o que lhe interessa é que sejam crianças). Ele não necessariamente coloca essa atração em prática (embora seja mais propenso a fazê-lo do que outras pessoas). Um pedófilo pode ser tratado para que não cause mal a nenhuma criança.

Outra coisa muito mais grave que a pedofilia é o abuso de menores, nem sempre cometido por pedófilos. Geralmente, o agressor não tem atração específica por crianças (e frequentemente é da própria família da vítima), e sim se aproveita do fato de ela ser INDEFESA para se saciar sexualmente, novamente, sem levar em conta se a vítima é menino ou menina. O abuso infantil é mais parecido com outras formas de violência sexual contra incapazes (idosos, enfermos e deficientes, por exemplo) do que com a pedofilia, embora nada impeça que, de fato, pedofilia e abuso infantil estejam relacionados.

Como se pode notar, a orientação sexual (hétero ou homo) não tem absolutamente nada a ver com a escolha do agressor (seja ele pedófilo ou não) por um menino ou uma menina. Logo, não há cabimento em associar uma coisa a outra, qualquer que seja ela.

Desfazer esse mito da "perversão" gay é mais do que lutar contra a homofobia: É deixar claro para pais e mães que as ditas "pessoas normais" também podem cometer o abuso infantil. A proteção à criança precisa ser constante e atenta, não preconceituosa. Em todo caso, qualquer que seja o destino dos infelizes, torço para que a garota consiga se recuperar da barbárie. Isso justiça nenhuma traz.

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